Planos econômicos: os fatos e prejuízos.

Após o fim do Plano Cruzado II no começo de 1987, ocorre um aumento brusco nas inflações. Preços e taxas voltam a subir. Os câmbios, contratos e aplicações retornam às correções. As contas externas indo de mal a pior e a negociação das dívidas se complicava cada vez mais pela falta de credibilidade do Brasil com relação aos outros países.

Em fevereiro do mesmo ano, Sarney declara o país em “moratória técnica” no intuito de retornar o clima nacionalista da população. No entanto, não há o mesmo entusiasmo nesse novo cenário. As mercadorias voltam às prateleiras com novos preços, o congelamento fora extinto aqui. Nada lembra o Plano Cruzado.

Em março, João Sayad, ministro do planejamento, pede demissão. Em abril, cai Dílson Funaro, ministro da Fazenda.

Substituindo Funaro, no Ministério da Fazenda, entra Luiz Carlos Bresser-Pereira. E logo acelera os preços para um novo congelamento e que esse não fracassasse como o Plano anterior.  Em maio, batemos o recorde inflacionário de um pouco mais de 23%.

PLANO BRESSER

Bresser anuncia o Plano Bresser no dia 12 de junho de 1987. Depois de converter os preços pelo pico, os salários pela média e o câmbio com desvalorização de 10%, congelou-se os índices.

Ocorre que, com a desvalorização do câmbio modificam-se os preços, conseqüentemente, pelos empresários. Para preços e salários, o Plano previa um “gatilho” baseado na URP (Unidade de Reajuste de Preços), mas não foi o que ocorreu na prática, apenas para salários.

Julho de 87, o ministro decreta nova moratória. Aqui, sugere ao Clube de Paris cortes de gastos, demissão em massa dos que ocupam o setor público e cortes nos investimentos públicos.

Voltam às negociações externas, mas, claro, sem sucesso. Trabalhadores e empresários lutam contra o Plano Econômico e protestam. A partir daqui, a inflação acelera novamente superando a marca de 10% ao mês. Bresser tenta adotar pacotes de reformulações tributárias, mas não tem o apoio de José Sarney e de outros políticos. Então, em dezembro do mesmo ano, se retira do Ministério da Fazenda. E o país já caminha para a hiperinflação…

PLANO VERÃO

Em 15 de janeiro de 1989 é implantado o Plano Verão, o quarto plano de estabilização da economia brasileira, durante o Governo Sarney e, Maílson Ferreira de Nóbrega assume o lugar de Bresser-Pereira.

Como sempre, o objetivo era conter a inflação. Aqui, congelaram os preços e salários, e foi criada a nova moeda brasileira: O Cruzado Novo.  Neste Plano, ocorrera a modificação do índice de rendimento das cadernetas de poupanças, o OTN (Obrigação do Tesouro Nacional), título público onde a variação era usada como índice de correção monetária.  As perdas foram de um pouco mais de 20%. A média mensal da inflação de 1989 foi de 28,94%.

PLANO COLLOR I e II

Em 15 de março de 1990, Fernando Collor assume a presidência do Brasil e impõe o Plano Collor, onde o objetivo era estabilizar a inflação por meio de congelamento do passivo público e restringindo o fluxo de dinheiro em circulação. O Cruzeiro substitui o Cruzado Novo.

O Governo Collor declara que a causa dos prejuízos sejam por conta das tentativas fracassadas de estabilização da economia e que o objetivo de tais medidas radicais eram para estabilizar a inflação.

Os maiores impactos foram no setor comercial e na produção industrial. Fernando Collor retirou 80% da moeda em circulação, gerava apenas 9% de dinheiro, então, claro, a inflação realmente despencou. De 81% para 9%.

Entretanto, Collor abriu brechas para a bagunça! Diversas exceções aos setores individuais da economia foram abertas pelo governo, chamadas de “torneirinhas”, como o “financiamento especial” na folha de pagamento do governo.

Em janeiro de 1991, inicia-se o segundo Plano Collor, incluindo novos congelamentos de preços e substituiu taxas de overnight por ferramentas fiscais que incluíam taxas de produção antecipada de papéis privados em seu cálculo. Houve um curto prazo de queda na inflação, mas em maio do mesmo ano fracassou.

Há quem possa ainda resgatar valores perdidos na época, mas somente alguns casos. Já se passou muito tempo e houve prescrição vintenária de alguns Planos e alguns bancos.

Procure um advogado e se oriente! É um direito seu resgatar o dinheiro que foi lhe arrancado na época.

 

Ruslan Stuchi

OAB/SP 256.767