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Home office e síndrome de Burnout

9, abril 2021

1) O que é a síndrome de Burnout?

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo. Essa condição também é chamada de “síndrome do esgotamento profissional” e afeta quase todas as facetas da vida de um indivíduo.

Para ler mais temas sobre a pandemia, acesse aqui.

2) Quais os direitos do trabalhador que adoece com a síndrome?

O trabalhador pode ser afastado de sua atividade laboral, o afastamento pode ocorrer depois do 16° dia de atestado médico, sendo necessário fazer uma perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para que seja constatado a incapacidade para exercer o labor e a concessão de um benefício previdenciário com o intuito de tratamento médico para convalescênça da patologia.

3) A pandemia e o home office agravam o risco de esgotamento profissional?

Sim, tendo em vista que muitas empresas exigem demais de seus trabalhadores para entregarem mais resultados.

4) Quais os pontos positivos e negativos do trabalho remoto?

As vantagens são:

  1. Trabalhador não precisa se deslocar até a empresa, o que significa economia para o funcionário e, às vezes, até para o empregador
  2. Tempo antes desperdiçado em deslocamento pode ser convertido em proximidade com a família, qualificação ou em exercícios físicos
  3. Economia em roupas
  4. Empresa pode diminuir o espaço antes mantido para comportar o quadro de funcionários
  5. Com menos pessoas e carros circulando, diminui a poluição

Já as desvantagens são:

  1. Para quem a disciplina não é um forte, será preciso começar a praticar a organização e o foco total nas atividades
  2. Misturar a vida pessoal e a vida profissional. Não conseguir distinguir a hora de trabalhar e a hora de ficar em casa tranquilo preocupa porque pode parecer que se está sempre envolvido com o trabalho
  3. Tendência de isolamento social. Para quem mora sozinho, o home office pode despertar um lado mais antissocial
  4. Dificuldades tecnológicas, como conexão de internet mais lenta
  5. Menos cuidado com a postura, o que pode acarretar problemas de saúde

5) Como deve proceder o trabalhador, que adoece com a síndrome, para exigir os seus direitos?

O diagnóstico é feito por uma profissional especialista após análise clínica do paciente.

Os profissionais responsáveis por esta análise é o Psiquiatra e o Psicólogo que conseguem identificar o problema e orientar o paciente da melhor maneira.

A maioria das pessoas não buscam ajuda médica por não saberem identificar os sintomas e na maioria das vezes acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

É importante que amigos e familiares estejam próximos neste momento, ajudando a pessoa reconhecer sinais que precisa de ajuda.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até o tratamento medicamentoso.

É primordial que haja o correto diagnóstico da doença, devendo o médico atestar de forma clara e objetiva do que se trata da síndrome de “burnout”.

Em todo caso se esta síndrome estiver associada a outras doenças, é importante ressaltar todas no diagnóstico.

Quando o trabalhador está acometido da síndrome de “burnout”, ele também tem o direito de continuar recebendo o FGTS, mantendo estabilidade acidentária de 12 meses após seu retorno ao trabalho. 

6) Como as empresas podem prevenir que os seus funcionários adoeçam?

A empresa precisa criar um ambiente saudável para todos. A necessidade de tratar cada profissional como se ele fosse único, pois na ânsia de “tenho que entregar”, muitos gestores nem conhecem seus funcionários. “Cabe ao gestor de recursos humanos conscientizarem aos líderes como administrar o trabalho sem agredir o bem estar do funcionário, fazê-lo enxergar que o profissional é mais que uma matrícula um número em uma planilha.”

O papel do patrão também é importante nesse processo, pois cabe ao patrão criar um ambiente que não represente um risco constante ao trabalhador. “Depende do empregador […] adotar medidas de controle, em especial aquelas pertinentes ao ritmo de trabalho e às metas adequadas, ou seja, alcançáveis.”

Para isso, a importância do treinamento das lideranças para melhorar as relações interpessoais. Também são necessárias iniciativas para diminuir o estresse dos funcionários, como pausas, ginásticas laborais, momentos de descontração entre a equipe e até mesmo mudanças estruturais do ambiente. Isso evita o sentimento constante de pressão e a síndrome de burnout.

Também cabe ao profissional prestar atenção aos sinais que seu corpo apresenta. Ao identificar os primeiros sintomas, precisa dar mais atenção às pequenas ações do dia a dia, manter uma boa alimentação, observar os horários de descanso e, caso seja necessário, procurar ajuda profissional. 

7) As empresas podem ser penalizadas no caso de funcionários adoecerem com a síndrome de Burnout?

Sim, as empresas podem ser penalizadas caso o seu funcionário adoeça com a síndrome de Burnout, devendo ela pagar uma indenização ao seu funcionário pelos danos sofridos.

8) Gostaria de dizer algo mais sobre o assunto?

Conforme abordado, de forma geral, a Síndrome de Burnout decorre do excesso de trabalho por um longo período de tempo. 

Excesso esse que pode decorrer da cobrança de metas inatingíveis, compensação injusta, baixa remuneração, dentre tantos outros fatores que contribuem negativamente para a saúde do trabalhador. 

Por isso que, cada vez mais as empresas precisam contar com equipes multidisciplinares que sejam capazes de encontrar falhas na dinâmica praticada nos ambientes de trabalho. 

Deste modo, adotar práticas como auditorias trabalhistas e compliance são poderosas ferramentas que atuam como aliados para o empregador, evitando dores de cabeça desnecessárias. 

Neste sentido, um dos pontos geralmente apontado nas condenações trabalhistas são o fato da empresa não proporcionar ao empregado um ambiente de trabalho sadio para a desenvoltura das atividades. 

Outro fator preponderante no aumento ou diminuição no valor das indenizações encontra-se na demonstração da empresa em ter adotado medidas que preservassem a saúde mental de seus colaboradores.

Em vista disso, uma equipe capacitada para analisar as rotinas de empresa é fundamental para proporcionar um ambiente adequado de trabalho. 

Estar sempre atento as metas cobradas e ao bem estar do funcionário são dicas simples, mas que evitam prejuízos futuros.

Equipe Stuchi Advogados

Dr. Ruslan Stuchi

Henrique Ceccato

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